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PETIÇÃO (texto integral em pdf)

Carta aberta às Srª Ministras da Educação e da Cultura

Inaugurado em 1881 segundo projecto do arquitecto Eugénio Cotrim e dispondo de um tecto pintado por José Malhoa, o Salão Nobre do Conservatório Nacional foi palco de importantes efemérides como a célebre polémica entre Luis de Freitas Branco e Ruy Coelho, verdadeiro julgamento público sobre a atribuição de um prémio de composição à 1ª sonata para violino e piano de Luís de Freitas Branco, à primeira audição em Portugal da integral das sonatas para piano de Beethoven a cargo do eminente pianista Vianna da Motta, à primeira audição em Portugal de obras como o Pierrot Lunaire de Schöenberg, Canção da Terra de Mahler (versão de câmara), Il Mondo Della Luna de Avondano ( 1ª audição moderna), etc.

(Conservatório Nacional)

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CONCERTO NO SALÃO NOBRE DO CONSERVATÓRIO NACIONAL

 

Como tínhamos previsto, encheu-se litteralmente o Salão do nosso Conservatório para festejar no dia 1 d'este mez, o primo­roso pianista Rey Colaço e caso raro, ou talvez sem precedente nos nossos fastos musicaes, os pedidos de bilhetes foram em nu­mero muito superior á lotação da sala e muitos dos admiradores do notável artista ficaram inhibidos do prazer de o ouvir d'esta vez.

Por aqui se póde aquilatar o grau de sim-pathia que a todos merece Rey Colaço e a alta consideração que todos teem pelo seu formoso talento.

O programma era realmente tentador. Abria com o famoso Concerto de Bach para 3 pianos, executado brilhantemente pelos professores Colaço, Bahia e Garin. Como conselho que poderá aproveitar para uma outra audição d’este trecho magistral, dire­mos que a collocacáo do quartetto acompa-nhador não foi feliz, não se ouvindo senão os dois primeiros violinos, por ficarem to­dos os outros instrumentistas modestamente encobertos por detraz dos 3 pianos de con­certo. Ainda que o quartetto viesse para o primeiro plano, nunca a sua sonoridade po­deria supplantar a de três pianos de cauda.

A Sonata a Kreutzer era também do programma e se é para nós um prazer re­gistrar mais uma vez a maneira admirável como Colaço toca esta sonata, em todos os seus detalhes, não é menos agradável affirmar que o maestro Andrés Goñi, apezar de visivelmente commovido, teve n'esse difficil trecho a plena consagração do seu bello ta­lento de virtuose distinctissimo. Afinação impeccavel, excepcional pureza de som e uma grande correcção no mecanismo, são qualidades que já ninguém lhe póde contes­tar e a querer fazer algum reparo, n'um exagero de sinceridade, diremos que julgamos demasiado vivo o movimento em que foi tomada a segunda variação em que o notável violinistai se deixou talvez emballer demasiadamente, prejudicando-lhe o effeito e mesmo a precisão.

No tocante á sonoridade relativa dos dois instrumentos concertantes, seja-nos também licito dizer que a não julgamos perfeita­mente equilibrada — o que será muito fácil remediar em futuras audições.

Nos Solos de piano com que Rey Colaço brindou os seus convidados, fez o illustre artista o encanto de toda a gente. Desde os trechos de mais transcendente virtuosidade como a Toccata de Sgambati até aos de maior mimo como a formosa Malaguena de sua própria composição, foi sempre o genial artista que nós todos conhecemos e mante­ve constantemente o seu auditório sous le charme. Teve uma bem merecida ovação.

Deu uma nota interessante de variedade ao programma a sr • D. Laura Wake Mar­ques, cantando alguns trechos muito applaudidos.

Foi em summa uma das solemnidades musicaes mais importantes a que temos assistido este anno.

 

A ARTE MUSICAL, Ano II- Nº 31 de 15 de Abril de 1900

 

        A Irmandade das Senhoras Viuvas

No dia 25, um concerto de caridade promovido pela Irmandade das Senhoras Viuvas teve logar no elegante salão do Conser­vatório. A execução do programma foi confiada a artistas nossos, dos mais notáveis e a alguns cantores do theatro lyrico. Eis os nú­meros de que elle se compoz:

Mendelssolm — Primeira parte do Trío em ré menor para piano, violino e violoncello, pelos srs. Rey Colaço, Hussla e Cunha e Silva.a) Rotoli — La Gondola nera. b) Denza — Se... para canto pelo sr. Giraud. a) Denza —Dolce peccato.

b) Dubois — Baiser para canto pela sr.a D. Livia Berlendi.

b) Liszt - Nocturnos 

b) Heller —La Chasse para piano pelo sr. Marcos Garin.  Tosti — Non t'amo piu para canto pelo sr. Polese.Schumann-Reinecke — Manfred para dois pianos pelos srs. Rey Colaço e Francisco Bahia.

a) Schubert — Serenata.

b) Toffani — Io T’ameró para canto pela srª D. Maria Martelli  Hussla — Fantasiestück para violino  pelo auctor. Wagner—Duas arias do Tannhaüser pelo sr. Polese.

 

O acompanhamento ao piano pelos srs Rey Colaço e Barone.

Com tão notáveis elementos, não podia deixar de fazer este concerto uma funda impressão no auditório, que teve o requintado prazer de ouvir boa musica e praticar ao mesmo tempo um acto de piedade.

Os artistas foram gentilmente brindados tela commissão organisadora; entre os brindes especialísaremos umas lindíssimas corôas de louro, que foram offerecidas aos artistas portuguezes, como merecida homeagem ao seu grande talento e reconhecida philantropia.

 

“A ARTE MUSICAL” ANNO I, numero 6 de 31 de Março de 1899

Sujeito nos anos 40 do século passado a amplas obras de remodelação (datando dessa altura a inclusão de um órgão de concerto), esta sala dispõe de uma acústica ímpar gabada por artistas como Karl Leister (clarinetista solista da Orquestra Filarmónica de Berlim), Anthony Pey (solista inglês de grande nomeada), e os cantores Peter Schreier , Sarah Walker e Mara Zampieri, entre outros. Vários músicos portugueses têm seleccionado o Salão Nobre para efectuarem gravações de discos devido à sua excelente acústica e dentre os quais salientamos António Rosado, Artur Pizarro, Nuno Vieira de Almeida, José Bom de Sousa, Elsa Saque, Emídio Coutinho, João Pereira Coutinho, etc.

Ora desde esses anos 40 do século passado que não se têm efectuado obras na referida sala, e 62 anos de constante utilização para concertos, audições e aulas deixaram as suas marcas, encontrando-se actualmente o Salão Nobre com um dos balcões laterais suportado por varões de ferro (para não cair), um número considerável de cadeiras totalmente destruídas, tectos com buracos, cortinas rasgadas, camarins em precárias condições. Enfim num adiantado estado de degradação que ameaça chegar ao ponto de não retorno.

Como se trata de um equipamento cultural indispensável não só para as actividades do Conservatório Nacional mas também como pólo dinamizador de uma zona que engloba não só o bairro alto como a cidade de Lisboa, desde há anos que insistentemente se reclamam, aos organismos competentes, obras tendo mesmo sido objecto de concurso público (publicado no D.R.), foi o mesmo concurso subitamente cancelado não se sabendo até à data as razões desse cancelamento. O salão Nobre do Conservatório Nacional com os seus magníficos tectos Malhoa não poderá aguentar mais tempo sem obras de recuperação.

É preciso salvá-lo sob pena de estarmos a pactuar num crime de lesa-património.

É nesse sentido que apelamos à sensibilidade dos cidadãos .

Juntamos fotografias que dão uma noção, bastante favorecida aliás, do péssimo estado em que se encontra esta jóia da nossa arquitectura que gostaríamos de ver recuperada.

  

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Concerto de 2 de Dezembro de 1900:

 

«No próximo Domingo, 2, em matinée, tem logar no elegante salão do Conservatório o primeiro concerto de musica de câmara, com instumentos de sopro. Deve-se esta brilhante iniciativa, que é por assim dizer completa novidade entre nós, a um grupo de artistas e amadores, cuja única mira consiste em elevar o nivel artístico do nosso paiz, sem a menor preoccupação de interesses pessoaes, antes com um desprendimento muito para louvar-se e que poderá servir de estimulo a outras tentativas da mesma índole. Assim este concerto é absolutamente gra­tuito, estando convidados grande numero de professores, amadores, alumnos, jornalistas da especialidade, todos emfim a quem pode interessar a Musica de camara, como um prazer ou como um ensinamento.

 

Em todos os centros musicaes d'uma certa importância, ha um ou mais grupos de instrumentistas de sopro, cuja missão é fazer conhecer a parte da musica de camara consagrada a esses instrumentos ou os trechos de caracter mixto, em que os instrumentos de vento estão combinados com os das cor­das. Apezar do repertório não ser muito vasto contem obras admiráveis que todo o publico culto deve conhecer e que são de tacto bastante conhecidas lá fora.

 

Não hesitamos portanto em classificar de benemerência artística o emprehendimento a que vimos alludindo e regosijamo-nos de frisar mais uma vez a abnegação de interes­ses materiaes com que os profissionaes pres­tam n'elle o seu concurso. Louvável   abnegação,  sem a qual seria , absolutamente impraticável o plano !

 

O programma d'esta primeira sessão é interessantíssimo: o celebre Quintetto op. 16 de    Beethoven,   um    Quartetto   de   Saint-Saens e um  Sextetto de Thuille, tudo executado na integra e em primeira audição as duas ultimas obras. Mesmo o Quintetto que como se sabe foi concertado   pelo   próprio   Beethoven para  quartetto de piano e cordas e tem sido muito ouvido em Portugal com esta ultima interpretacão, só raramente e em época muito  remota se tem executado na sua forma original. A execução do programma é confiada aos   Srs. José Henrique dos Santos (flauta), Arthur   da Fonseca  (oboé), Severo  da Silva (clarinette), Manoel Tavares (trompa), João  Manoel Gonçalves (fagote) e Michel'ángelo Lambertini (piano).

 

“A ARTE MUSICAL” Anno II, numero 46 de 30 de Novembro de1900»

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